segunda-feira, 27 de julho de 2009

À sombra das peladas imortais

Para Mario Quintana
Da vez primeira em que me fraturaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me quebraram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus ossos calcificados, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, velha, amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da pelada!
Ah! Deste pé, avaramente sestro,
Ninguém há de arrancar-me a bola amada!

Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
Não calará o canhoto, torto, que já foi destro!

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