O peladeiro conhece como ninguém todas essas posições,
porque, em geral, ele tenta estar em todas. Alguns descobrem que não é
possível, outros encerram a carreira tentando, o que não é um demérito, apenas
um ponto de vista peladeiro. Do goleiro ao atacante, a distância é mínima: basta
um gol, um toque entre mãos, uma palavra, um gesto, um olhar, nada, e o
atacante se faz goleiro, e vice-versa. A pelada, mais uma vez, se mostra
mágica.
Todo esse preâmbulo para desembarcar no peladeiro da vez:
Patrick. Não há nenhuma alusão aqui do futebol dele ao de Sorín, apenas a
constatação de um fato e uma resposta à presença constante de Patrick na
escalação de treinadores diferentes que passaram pelo Galo. Num universo de
“jogadores de escolinha”, um jogador que busque o jogo constantemente e que
dele participe é uma peça importante em qualquer elenco. Essa é a resposta para
Patrick ter sido titular com o Levir, com o Aguirre e, agora, com o Marcelo, em
variadas posições, a quinta diferente (as duas laterais na defesa e no ataque
e, ontem, no meio de campo).
Patrick não é um jogador de muitos recursos técnicos, mas
não se omite em uma partida e está sempre participando do jogo. Não é um
brucutu, um perna-de-pau, é perspicaz em algumas jogadas, não perspicaz em
muitas, mas nada que o impeça de pedir a bola na próxima jogada. Não faltam
vontade, determinação e entrega, e esse conjunto é muito importante para a
Arquibancada Atleticana, daí o reconhecimento: “Patrickão da Massa”.
Ontem, contra o Vitória na Arena Fonte Nova, foi o mais
lúcido do Galo em campo, recebendo, inclusive, o prêmio de melhor em campo pela
Rádio Itatiaia. Essa lucidez não quer dizer precisão, qualidade refinada ou genialidade,
apenas que entende bem, como bom peladeiro, como a bola comanda a pelada.
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