segunda-feira, 30 de maio de 2016

Peladeiro - parte 2

O peladeiro conhece como ninguém todas essas posições, porque, em geral, ele tenta estar em todas. Alguns descobrem que não é possível, outros encerram a carreira tentando, o que não é um demérito, apenas um ponto de vista peladeiro. Do goleiro ao atacante, a distância é mínima: basta um gol, um toque entre mãos, uma palavra, um gesto, um olhar, nada, e o atacante se faz goleiro, e vice-versa. A pelada, mais uma vez, se mostra mágica.
Todo esse preâmbulo para desembarcar no peladeiro da vez: Patrick. Não há nenhuma alusão aqui do futebol dele ao de Sorín, apenas a constatação de um fato e uma resposta à presença constante de Patrick na escalação de treinadores diferentes que passaram pelo Galo. Num universo de “jogadores de escolinha”, um jogador que busque o jogo constantemente e que dele participe é uma peça importante em qualquer elenco. Essa é a resposta para Patrick ter sido titular com o Levir, com o Aguirre e, agora, com o Marcelo, em variadas posições, a quinta diferente (as duas laterais na defesa e no ataque e, ontem, no meio de campo).
Patrick não é um jogador de muitos recursos técnicos, mas não se omite em uma partida e está sempre participando do jogo. Não é um brucutu, um perna-de-pau, é perspicaz em algumas jogadas, não perspicaz em muitas, mas nada que o impeça de pedir a bola na próxima jogada. Não faltam vontade, determinação e entrega, e esse conjunto é muito importante para a Arquibancada Atleticana, daí o reconhecimento: “Patrickão da Massa”.
Ontem, contra o Vitória na Arena Fonte Nova, foi o mais lúcido do Galo em campo, recebendo, inclusive, o prêmio de melhor em campo pela Rádio Itatiaia. Essa lucidez não quer dizer precisão, qualidade refinada ou genialidade, apenas que entende bem, como bom peladeiro, como a bola comanda a pelada.

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