segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pulse - 1ª parte

Desde que o LinkedIn Pulse surgiu, tenho lido bons conteúdos, informações diversificadas e atuais e muitas novidades, inclusive do ponto de vista linguístico. Em contrapartida, observo que não há um trabalho sistemático em relação à língua portuguesa nesses artigos, o que gera, muitas vezes, um distanciamento entre forma e conteúdo.

Trabalho com edição de textos há anos, principalmente no ensino superior, e observo que o foco está, na produção de monografias, dissertações e teses, essencialmente, no conteúdo, restando à forma, se houver tempo, alguma atenção. Não quero debater aqui as questões relacionadas às variações linguísticas, porque, em minha opinião, um trabalho acadêmico que mereça esse título deve-se pautar na norma “científica” da língua. A preocupação com os aspectos linguísticos pode ser incipiente, mas jamais insipiente.

Os aspectos formais do texto são tão importantes quanto os relacionados ao conteúdo e deveriam ser assim tratados, inicialmente, pelos professores-orientadores, para que os alunos, já nos semestres iniciais, entendessem esse fato e o incluíssem no cronograma de execução do trabalho. Ao término de uma pós-graduação, restarão para a história o título (mais visível, curricular e social, mas que será perdido ao fim da vida) e o trabalho impresso, que poderá ser obra de referência para trabalhos posteriores e, certamente, parte da base de conhecimento de nossa sociedade.

Analisando essa questão de forma mais ampla, é notório que o problema não está na pós-graduação, certamente passa pela graduação, mas, sem dúvida, está na educação básica, e as mais de 53 mil redações no ENEM com nota zero confirmam esse fato. É preciso qualificar nossos alunos na produção de texto e cobrar, insistentemente, uma performance mais condizente com os padrões de que nossa sociedade necessita.

O Novo Acordo Ortográfico, depois de anos opcionais, agora é obrigatório. Estamos preparados para ele ou deveríamos perguntar se ele está preparado para nós? Para o nosso dia a dia digital e oral, não há diferença, mas não podemos nos esquecer de que as idéias de ontem podem não ser as ideias de hoje (muitas delas certamente não são). Não cabe a discussão se o NAO é relevante, pertinente ou agradável, pois agora ele é real e vigente.

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