Voltando ao LinkedIn Pulse, que é
o tema deste artigo, já li vários artigos incentivando a redação de textos
pertinentes à área de atuação do autor, outros dando dicas de como produzir um
texto para a ferramenta, mas não me lembro de nenhum deles que propusesse uma
atenção aos aspectos linguísticos. Talvez por ser uma premissa tão fundamental
que beire a obviedade, os autores não a citem, e de igual forma, nos
comentários, não me recordo de colocações pertinentes a questões de língua
portuguesa (pedantes, inconvenientes...). Novamente, foco no conteúdo.
O crescimento do número de
autores é um fato relevante, pois, inevitavelmente, o número de leitores
crescerá, ainda que esse incremento não possa ser classificado qualitativamente.
O aumento da produção escrita abriria
um mercado enorme para revisores de texto, pois seriam necessários nas áreas
mais diversas, em empresas de tecnologia e tradicionais, nos contextos mais
diversos. Digo abriria, pois não é o
que se vê na prática. O mercado cresceu muito para revisores de textos nos
últimos dez, quinze anos, mas está aquém da produção escrita.
Não é possível que as questões
linguísticas sejam pensadas apenas ao término da redação do texto, com a crença
de que um revisor de textos (que muitos acreditam ser “o do Word”) possa
resolver inúmeras variáveis em 24 ou 48 horas. Além disso, é muito difícil
encontrar um revisor que tenha esse serviço como fonte única e exclusiva de
trabalho e renda (muitos são professores de língua portuguesa ou têm formação
em jornalismo ou direito, entre as áreas mais comuns).
O contexto do LinkedIn Pulse
também deve ser analisado, uma vez que as relações são muito digitais, a
sociedade é digital, e a forma de usar nosso tempo disponível, por
consequência, cada vez mais digital. Há textos com linguagem de diário, com “fluidez”
de uma conversa de bar (claro, sem o acompanhamento de bebidas e tira-gostos), com
o figurino de listagens e listas (como aquela relação de ingredientes de uma
receita), sem contar os mais jornalísticos e os autopromocionais. Não há
demérito para nenhum deles, pois todos têm seu espaço e seu público-alvo. Por
essa variada gama de gêneros textuais e por nossa rapidez digital, além de
outros motivos, o conteúdo.
Não deixo de acompanhar o
LinkedIn Pulse, porque me serve como fonte de informação, de conhecimento e de
reflexão para o meu trabalho diário com a língua. Entretanto criei uma
categoria de textos chamadas de “3P”, para os quais minha paciência analógica tolera
até três parágrafos antes que a sanha digital contemporânea feche o navegador e
passe para o próximo.
Para esses “3P”, muitos deles com
milhares de visualizações, não há delação,
só deleção.
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