terça-feira, 3 de maio de 2016

Pulse - 2ª parte

Voltando ao LinkedIn Pulse, que é o tema deste artigo, já li vários artigos incentivando a redação de textos pertinentes à área de atuação do autor, outros dando dicas de como produzir um texto para a ferramenta, mas não me lembro de nenhum deles que propusesse uma atenção aos aspectos linguísticos. Talvez por ser uma premissa tão fundamental que beire a obviedade, os autores não a citem, e de igual forma, nos comentários, não me recordo de colocações pertinentes a questões de língua portuguesa (pedantes, inconvenientes...). Novamente, foco no conteúdo.

O crescimento do número de autores é um fato relevante, pois, inevitavelmente, o número de leitores crescerá, ainda que esse incremento não possa ser classificado qualitativamente. O aumento da produção escrita abriria um mercado enorme para revisores de texto, pois seriam necessários nas áreas mais diversas, em empresas de tecnologia e tradicionais, nos contextos mais diversos. Digo abriria, pois não é o que se vê na prática. O mercado cresceu muito para revisores de textos nos últimos dez, quinze anos, mas está aquém da produção escrita.

Não é possível que as questões linguísticas sejam pensadas apenas ao término da redação do texto, com a crença de que um revisor de textos (que muitos acreditam ser “o do Word”) possa resolver inúmeras variáveis em 24 ou 48 horas. Além disso, é muito difícil encontrar um revisor que tenha esse serviço como fonte única e exclusiva de trabalho e renda (muitos são professores de língua portuguesa ou têm formação em jornalismo ou direito, entre as áreas mais comuns).

O contexto do LinkedIn Pulse também deve ser analisado, uma vez que as relações são muito digitais, a sociedade é digital, e a forma de usar nosso tempo disponível, por consequência, cada vez mais digital. Há textos com linguagem de diário, com “fluidez” de uma conversa de bar (claro, sem o acompanhamento de bebidas e tira-gostos), com o figurino de listagens e listas (como aquela relação de ingredientes de uma receita), sem contar os mais jornalísticos e os autopromocionais. Não há demérito para nenhum deles, pois todos têm seu espaço e seu público-alvo. Por essa variada gama de gêneros textuais e por nossa rapidez digital, além de outros motivos, o conteúdo.

Não deixo de acompanhar o LinkedIn Pulse, porque me serve como fonte de informação, de conhecimento e de reflexão para o meu trabalho diário com a língua. Entretanto criei uma categoria de textos chamadas de “3P”, para os quais minha paciência analógica tolera até três parágrafos antes que a sanha digital contemporânea feche o navegador e passe para o próximo.

Para esses “3P”, muitos deles com milhares de visualizações, não há delação, só deleção.

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