segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Delírio (III)

Caiu do ar? destacou-se da terra? não sei; o avestruz mantinha-se imóvel. Ao longe, trazido pelo vento, um uivo equino trouxe consigo um vulto montado. Corria compulsivamente e dançava o chicote de um lado para o outro em sua negra montaria, incentivando o animal pela mão e pelo cão. Não tardou a se juntar a nós.

– Barzabú – gritou o cavaleiro fazendo o cavalo arrefecer.

Fez um gesto de saudação cordial com a mão e acariciou o pescoço do cavalo.

– É, primo, sua andância fozeou. É hora de conhecer o de-verdade.

O avestruz me olhou fazendo um gesto afirmativo com a cabeça.

– Vamo, primo, que as balas não pipocam de menos porque o fim da música parou a dansa.

Tocou o galope.

Meu avestruz tocou atrás.

– Olerê, baiana... – cantava ele.

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