quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Delírio (V)

Seguindo a jornada, juntou-se a nós um terceiro cavaleiro. Montava um corcel branco como uma noite de paz, alto e imponente como até então eu jamais vira. A armadura reluzente, a capa vermelha dansando com o vento, a lança sestra em posição de batalha e uma tranquilidade insistente nos olhos e na face.
–Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! – exclamou o primeiro cavaleiro.
–Para sempre seja louvado! – respondeu o guerreiro.
O segundo cavaleiro retirou o capacete e saudou o companheiro recém-chegado com deferência.
Agora, seguíamos os quatro emparelhados. O sol descia em direção ao não-horizonte.
Estupefato, não disse nada, mas, ao cabo de algum tempo, que foi breve, perguntei quem era e como se chamava: curiosidade de delírio.
–Ê, primo, tá aluado? ­– disse Riobaldo.
–Se não reconheces o chefe da Cavalaria, bem se vê que deliras – respondeu o Cavaleiro de La Mancha.
–Sou Jorge e você veste minhas roupas e minhas armas – disse o terceiro cavaleiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...